
Esse é, na verdade, uma variação sobre um poema anterior. Engraçado, gosto muito das duas formas...
"Quero, de forma voluptuosa,
cheio de ternura e assombro,
sentir o perfume da rosa
que tens tatuada no ombro."

Postado por
P.H. Wolf
às
19h41
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Álvaro de Campos revisited
Quem colou os cacos deste vaso?
Quem o encheu de flores? Será que não se Indispôs
com as sobras, os vazios? Agora esta cola o prende
com tal precariedade
que um mero empurrãozinho o esfacelaria novamente,
em pedaços ainda menores,
e com mais louça, muito mais louça, até ser inevitável
(embora não recomendável)
fazer com que Existam vários vasos com os cacos de um.
Três, para ser exato. Um enorme,
selvagem, primitivo. Outro ordenado e imponente,
como vaso etrusco, com desenhos de deuses vingativos.
O último, bem pequeno, com forma e Sofrimento semelhantes
ao vaso original.
Ah, quem pode dizer, agora que foi tudo refeito, reformado, regurgitado,
qual é a face verdadeira desses vasos?
Seria a exterior, pintada e adornada
cada uma à sua maneira?
Ou a face voltada para dentro, face escura
que só podemos Contemplar
se analizarmos os vasos com muito afinco
- e que o vaso, ele mesmo, nunca vê...

Postado por
P.H. Wolf
às
18h37
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E esse sou eu :
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