
hai-kai
Um cemitério.
Poemas abortados.
Enterro fundo.

Postado por
P.H. Wolf
às
07h28
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o tempo: poema em três tempos
É preciso chegar a quinta-feira
para se descobrir
que a segunda passou tão rápido,
pois o último dia
é sempre mais longo,
não por conter mais horas,
elas é que não se contêm.
Eis a cantiga do tempo,
atual regente da vida,
vida em que os dias demoram
e os anos passam depressa;
vida que não dá pra nada,
vida que só dá pra tudo.
Que bom seria crer que são quatro horas,
e ver que o relógio marca
quatro horas.
Nem mais (o tempo não para)
nem menos (o tempo não passa).
Sábio é quem não dá a mínima
para que horas são.

Postado por
P.H. Wolf
às
07h24
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O desempregado
Todo dia é domingo,
logo não há domingo.
Ninguém o contratou
pra procurar emprego.
Ninguém lhe paga nada
pra procurar emprego.
Ele nem tem dinheiro
pra procurar emprego.
Mas precisa sair
pra procurar emprego.
Caminha todo dia
em busca de trabalho
qualquer coisinha serve:
pedreiro, jardineiro,
vendedor, faxineiro,
camelô, ambulante,
bivhairo, traficante...
mas nunca acha nada.
O céu apaga as luzes,
dizendo ao pobre homem
que é hora de ir pra casa.
Ele vai desolado,
por que não achou nada
só um tiquinho de ânimo
pra sair no outro dia
pra procurar emprego.
Todo dia é domingo,
logo não há domingo.

Postado por
P.H. Wolf
às
07h23
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E esse sou eu :
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