
Fui provocado pelo poeta Antônio Cícero . Em pleno XX Encontro da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa, Cícero, em colóquio sobre "O Sentido da Escrita", comentava suas escolhas como poeta, quando, para exemplificar, afirma que, se utilizasse a palavra "noite" não a rimaria com... acoite! Ora, eu fizera, na semana anterior, um poema que cometia exatamente essa rima (o soneto "Aurora", recordista de comentários, polêmico, do jeito que eu gosto), e, como se não bastasse, a senhorita "Ieu", que estava do meu lado, me olhava com aquele ar fulminante, um olhar de medusa, que transforma qualquer um em pedra. Ah, mas eu gosto de um desafio! Na verdade, quando comecei a escrever "a sério", decidi comigo mesmo que nunca iria abortar um bom poema por usar rimas pobres, ou por qualquer outro motivo. Mas um dos lados positivos de ser "pretensioso" como dizem alguns, é que eu me sinto capaz de fazer qualquer coisa, como aquele homem a que foi dada uma tarefa impossíviel, mas como ele não sabia disso, foi lá e fez. E aqui está esta quadrinha despretensiosa, mais um exercício, uma prova de que minhas escolhas poéticas são exatamente isso: escolhas. "Ieu", obrigado, de coração, por esta singela provocação. São desafios como este que nos fazem crescer como seres humanos e profissionais. Por isso eu peço sempre: comentem, gostando ou não. Isso só acrescenta.
Cara, não se afoite...
Quando seu novo amado foi te
beijar, senti com se um boi ti-
vesse amassado a Lua. A noite
agora só rima com açoite.

Postado por
P.H. Wolf
às
09h53
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Uma Questão Gastronômica
Sou eu quem arranca suas roupas
como quem corta, lentamente, uma casca de fruta,
e morde suas orelhas
até lhes sugar o sumo.
Sou eu quem sente o salgado suor do seu rosto,
se machucando com seu toco de barba
quando lhe beija todo.
Eu quem, olhos arregalados
por baixo das pálbebras fechadas
engole sua cabeça inteira
e a envolve até não saber mais
o que é minha saliva e o que vem de você.
Você, quando traz um amigo,
mal o toca,
só olha
enquanto eu me esbaldo com ele
até me fartar.
Você não beija meus outros lábios,
nem sente minha seiva
quando lambo, com gosto,
seu joelho, sua perna, sua virilha...
Eu já sei de cor o sabor do seu leite,
mas o meu leite, literal,
que vem do seio do meu coração,
este você nunca terá.
No máximo será
de algum filho seu.
Às vezes faço até o caminho inverso,
e sinto você entrar
por onde deveria sair.
Por fim, quando seu peito explode,
quando sua alma explode,
são os meus lábios,
uns ou outros,
que recebem todas as suas células
com os genes pela metade,
e as absorvem.
Sou eu quem, dentro de mim, as divide - ou multiplica.
Então, por que diabos
é você que me come?

Postado por
P.H. Wolf
às
09h30
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Quando o português exclama "vamos às Índias!"
embarca em uma incrível jornada.
Já o brasileiro exclama "Vamos às Índias!"
e embarca numa incrível suruba.

Postado por
P.H. Wolf
às
15h01
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E esse sou eu :
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