49.999.999
Cinquenta milhões de indigentes
só no nosso país,
e eu aqui, falando de amor?
Cinquenta milhões de famintos,
mas não têm o que comer.
Não têm o que comer.
Mas têm que comer.
Têm que comer.
Que comer?
Não têm.
Não.
- E eu aqui. Falando de amor...
Cinquenta milhões de fiéis
crêem que Deus proverá.
São tão poucos os motivos para crer...
Deus disse que veio para os doentes.
A mãe de Janaína dos Santos Silva,
quatro anos de idade,
desnutrida e tuberculosa, discorda.
Janaína não.
Daqui a duas semanas, Janaína
estará no céu, falando com Deus,
e eu aqui, falando de amor.
Queria poder escrever
algo mais chocante,
que alertasse as pessoas
e fizesse o povo chorar
e fizesse alguém refletir
e fizesse alguma difreença.
Mas soube
que cinquenta milhões de pessoas
(menos a Janaína, daqui a duas semanas)
vivem na mais absoluta miséria
e não sei o que pode chocar mais do qeu isso,
a não ser, talvez, o fato
de que essa notícia
não choca mais ninguém
(isso
e eu, aqui, falando de amor).
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P.H. Wolf
às
11h33
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Hai-kai
No dia cinco
recebo o meu salário.
O mês acaba.
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P.H. Wolf
às
11h24
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Hai-kai
Pois é,
bom é ouvir
Tom Zé.
Postado por
P.H. Wolf
às
11h23
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Ok, talvez este aqui esteja meio pretensioso...
Poeta pós-apocalíptico
Sou o último ser humano vivo na Terra.
Não sei como, so restamos eu
e algumas baratas saborosas.
Então,
para quem escrevo?
Vaidade, tudo é vaidade...
É quando,
em meio a todos os meus irmãos putrefatos,
solto uma gargalhada
absurda e sonora
ao perceber, subitamente,
que também sou o último poeta
da História,
e o único a ser lido,
sem exceção,
por toda a humanidade.
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P.H. Wolf
às
11h22
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Portas abertas
(a Alberto Pucheu)
Todo grande amor possui elementos absolutamente indescerníveis dos equivalentes em uma grande amizade. É algo de uma inominável evidência, como o total desguarnecimento de todas as fronteiras entre prosa e poesia, entre paixão e filosofia, entre a ordem e o caos, entre mim e ti.
Entenda, os muros ainda estão lá,
pois um e outro existem.
Sim, um pode acabar,
e o outro permanecerá.
Mas os guardas estão dormindo,
s portas estão abertas,
o meu passaporte está
em dia.
Um grande amor, elguém me disse,
embora eu tenha, não é meu.
Pertence à vida, maluquice
que só entende quem já leu
algum romance de Clarice,
algum escrito de Pucheu.
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P.H. Wolf
às
00h37
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Episódio Depressivo I
Meu corpo foi invadido pela Náusea.
Em cada pé uma tristeza profunda,
Em cada dedo uma angústia sem nome,
o fim de toda a vida em meus joelhos.
Toda a afonia do Crucificado
e a dor de Sua mãe ao pé da cruz
sino em meu ronco, nos ombros, nas mãos.
Não ouso descrever meu coração.
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P.H. Wolf
às
00h32
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Toda mulher é um vulcão
que a cada trinta dias
entra em erupção.
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P.H. Wolf
às
00h25
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