Tomem fôlego gente, esse poema é loooongo...
Velho(s) Cruzamento(s)
Se eu tivesse virado logo à esquerda
naquele velho cruzamento,
seria grande,
bem maior do que sou hoje,
mas ela nunca teria olhado para mim.
Nós mal nos conheceríamos,
não teríamos nos tornado tão íntimos,
muito menos iríamos nos apaixonar um pelo outro.
Nossa história juntos não teria sido.
Cinco anos de nossa vida... puf! Quase nada.
Nunca nos beijaríamos, não nos tocaríamos, nem...
Eu não brigaria com ela.
Não haveria discussões.
E nunca sentiria raiva dela, ou desprezo, ou tédio, ou tédio, ou tédio...
Amor e ódio não andariam juntos aqui.
Não nos separaríamos. Não ficaríamos de mal
nem faríamos as pazes.
Hoje, ela não seria minha grande amiga
... e eu nunca a teria apresentado a ele
(eu mesmo mal o conheceria,
seria seu mestre, não um companheiro de armas).
Em suma, meu sofrimento não teria sido.
Mas eu hesitei.
E tudo aconteceu.
E tudo se perdeu.
E depois de tudo perdido
(só depois de tê-la perdido)
foi que eu vim a te conhecer,
e te amei.
Agora, só consigo pensar em ti,
só consigo pensar que jamais,
jamais poderia ter (ser) qualquer coisa contigo
se eu tivesse ousado
naquela bifurcação antiga,
pois também seria teu mestre,
jamais teu companheiro,
teu amigo,
teu amante.
É, um dia eu errei
e, errando, passei os meus anos desde então,
com ela, sem ela,
sem mim,
até chegar a ti.
Sei que, se não fosse por ela,
teria perdido cinco anos da minha vida,
mas, não fosse por ti,
a teria perdido inteira.
Ah, quantas vezes eu não me arrependi
daquela manhã cinzenta
na qual, em frente à encruzilhada carcomida,
fiqui parado por tempo demais!
Não virei à esquerda. Não cresci.
Não cumpri minha jornada na hora devida.
Quem sabe o que eu teria visto, então?
O que eu teria sido?
De que maravilhas
teria participado? Quem
(pois, no fim, o que realmente importa é o quem)
eu teria conhecido?
Será que eu teria sido mais feliz? Meus sonhos teriam sido todos realizados?
Minha casa, meu carro, meus livros,
minha filha...
Ah, foda-se.
Eu não teria a ti.
Eis a verdade oculta,
desconhecida por todos
(sobretudo por mim):
Sim, eu virei à esquerda
naquele velho cruzamento.
Cresci.
Me desenvolvi.
Evoluí.
Então, quando finalmente eu te conheci,
eras uma criança,
e eu, um velho,
já era tudo. Casado. Famoso. Pai
Só não era eu mesmo.
Eu era aquela menina que tu ainda és hoje,
e nos amei imediatamente.
Foi quando um deus bêbado reparou
no modo como eu olhava para ti,
e me perguntou: "Quanto amas essa criança?"
"Mais do que tudo na vida", respondi.
"Mais do que a própria vida?"
Essa criança é a própria vida, pensei. Mas respondi "Sim."
"Tu serias capaz de abrir mão de ti mesmo por esse amor?
Abririas mão delas?", o deus disse, apontando para minha esposa e filha.
"Agora, se necessário", foi a minha resposta. "Mas não queria que elas sofressem,
pois tenho muita estima por elas."
"Tua esposa será feliz," o deus me tranquilizou, "com outro homem".
"E minha filha?"
"Em verdade eu te digo,
Tua Filha será a mais afortunada de todos nós,
pois nunca terá nascido. Quanto a ti,
perderás tudo
pois a criança que desejas é muito nova
e deves se como ela.
Sobretudo, perderás todas as tuas lembranças deste momento
e de todos os que vieram antes,
caso contrário,
não estarias abrindo mão de nada realmente, não é mesmo?"
Não entendi muito bem a lógica nisso, mas concordei.
"Faço um último alerta", me apontou o deus, "embora consigas tê-las contigo,
para todo o resto - dinheiro, fama, uma vida sólida - pode ser tarde demais.
é realmente isto que desejas?"
"É a ela que desejo. Sem essa criança, todo o resto
é irrelevante."
"Que seja!"
O deus me ofereceu um cálice do seu vinho
e um sorriso gélido.
Aceitei abos.
Bebi.
Dormi.
Quando acordei, estava, pela segunda vez
(embora não o soubesse)
naquele velho cruzamento.
Sabia, no entanto, ainda que instintivamente,
pois a memória já havia sido surrupiada,
que o sucesso e o poder, a fortuna e a glória
estavam ao alcance de minha mão esquerda.
Foi quando, prestes a avançar,
me lembrei de ti.
Tomado de pavor por aquela visão fabulosa,
hesitei. Não virei à esquerda.
E, tão instantaneamente como surgiu,
a lembrança de ti se esvaiu.
Eu não sabia mais
porque havia hesitado.
Hoje não lamento
nenhum dos meus erros,
pois, se eu pudesse
[eu pude]
escolher entre a glória e o amor,
entre mim e ti,
tenho a certeza mais absoluta
de que eu te escolheria
[eu te escolhi].
Postado por
P.H. Wolf
às
23h47
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Metáforas
(a Michel Melamed)
A flor é metáfora para o sexo.
o líquido perfume daquela rosa
acompanha suavemente meus dedos
e sugo-lhe o néctar. Sou abelha
cujo ferrão não mata. Fecunda.
O sexo é metáfora para a poesia.
Penetro, nada surdamente,
naquele reino de gemidos,
pelo contrário, sem medos, sem pudores,
sem camisinha.
A poesia é metáfora para a vida.
Como criança que brinca
sem se importar com o próximo minuto,
Assim escrevo, inocente, sem conhecer
o verso seguinte.
A vida não é metáfora
A vida é metonímia.
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P.H. Wolf
às
23h12
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Tô meio Paulo Leminsky hoje...
Gente, essa semana, eu tô que tô. Anteontem fiz cinco poemas de que gostei, um deles com quase conco páginas! Não trouxe o meu caderno "oficial" aqui pra lan house, só tô com o de rascunho, por isso não o pus aqui hoje. Mas trouxe outros, que me lembram um pouco os do Paulo Leminski {só lembram, no máximo são uma influência, não vão me dizer que eu estou pretensioso de novo [bom, talvez o poema de cinco páginas seja um pouco, mas é que u sempre quis escrever um poema longo, é como um sonho realizado (claro que não vai dar pra vocês julgarem isso até eu publicá-lo, vou ver se ponho aqui no sábado)]}. Enjoy!
(sem título)
Com uma colher,
toda mulher
faz o que quer.
fingem que comem
na mão do Homem,
mas depois somem...
Postado por
P.H. Wolf
às
23h07
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É...
Nem demais, pintinho preso ao ninho,
nem de menos, bêbado de vinho.
Se você não quer morrer sozinho,
bom mesmo é ________ só um pouquinho.
Postado por
P.H. Wolf
às
22h59
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Pára, doxo!
Há algo de paradoxal
em não ser um paradoxo
o fato de eu relevar em ti
apenas o que é irrelevante...
Postado por
P.H. Wolf
às
22h57
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hai-kai
Eu não te amo.
O Amor mal se compara
ao que eu sinto.
Postado por
P.H. Wolf
às
10h45
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