Um conto de 50 letras
Uma cigana me disse que o mundo acabaria hoje, mas eu não acredit-
Postado por
P.H. Wolf
às
22h47
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Ontem
(A Fernanda Primo)
Se ontem à noite tivesse uma câmera
eu captaria aquele momento,
mas perderia o movimento,
o som finito das ondas,
e morreria a luz
da lua dourada
sobre o teu corpo
que as estrelas
(como eu)
viram.
Sei que nada que é vivo permanece,
e a foto da areia é só um papel,
uma lembrança virtual.
São tantos os elementos...
também sei que os instantes
não pulsam pra sempre,
e é na memória
que se guardam
os tesouros
frágeis.
Hoje não visto a pele enluarada,
roupa confortável que protege
corpo e espírito, nirvana
que parece não ter fim.
Hoje, posso afirmar
que nada é eterno.
Ontem o tempo
em que eu não
te amava
foi-se.
Postado por
P.H. Wolf
às
22h28
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Não é pretensão nao...
Gente, quanta polêmica no meu último poema! Gosto disso. Eu já postei um comentário, mas achei melhor discutir com mais calma (e mais visibilidade) a "pretensão" no poema "reencarn(ação). A grande chave para se entender por que este poema não é pretensioso está num dado que eu ainda não tinha falado, nem no comentário. Esse, na verdade é o primeiro de uma série de poemas "pessoanos" que planejei fazer, cada um acompanhando um de seus heterônimos. O primeiro é esse, que fala de Alberto Caeiro. En nenhum momento quis me igualar a ele como poeta. Porém, essa interpretação me agradou de uma forma inesperada. Uma das coisas que costumam me incomodar no que eu escrevo é que eu sinto falta de uma camada superficial através da qual o leitor tenha que atravessar a fim de encontrar outros significados dentro do poema. Resumindo: acho meus poemas óbvios. A polêmica gerada por esse poema me mostrou camadas de interpretação insuspeitadas para mim. Assim, numa primeira leitura, a pessoa pode crer que o eu-lírico se compara ao Mestre Alberto Caeiro, mas uma leitura mais atenta pode mostrar outras coisas...
Mas, como eu disse, esse foi o primeiro poema. O segundo foi terminado essa semana e dialoga com Ricardo Reis, como fica evidente logo no primeiro verso. Espero que esse soe menos pretensioso. Eu até posso me permitir ser pretensioso de vez em quando, paciência, ninguém é perfeito, mas meus poemas, nunca!
Mãos desenlaçadas
Ricardo Reis morreu, e hoje Contemplo
sozinha o espetáculo do mundo,
mas Sofro ao ver que tudo é tão imundo
que não acho conforto em nenhum templo.
Existe, claro está que tudo Existe
exceto quem não está mais ao meu lado.
Meu coração ficou engaiolado
e as rosas dos jardins são mero alpiste.
Gostava do seu plácido otimismo
eternamente à beira de um abismo.
Agora que estou só, não me contento
com tudo que está aí. Tanta perfídia
no mundo me Indispõe. E é só o vento
que seca o pranto dessa pobre Lídia.
Postado por
P.H. Wolf
às
22h25
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