
Um poema de amor?
Não posso expressar aqui o meu amor,
nem descrever o êxtase das noites passadas ao teu lado
ou ainda tecer comentários
sobre a tua pele rosada.
Como descrever uma boca indescritível,
um nariz a cada dia mais feliz,
os teus olhos persuasivos,
esse par de pernas palpitantes...
ou seriam olhos palpitantes
e pernas persuasivas?
Nada disso cabe numa folha de papel.
Muito menos minhas alegrias,
ou a dor incalculável que seria te perder,
dor que eu já sinto tão forte,
em doses homeopáticas,
quando brigamos, e nos irritamos,
e vais embora...
E quanto ao alívio recheado de saudade
que sinto com a tua volta,
quando eu só penso em te abraçar, e te beijar, e...
Isso também não cabe aqui.
Não num país que já nos deu Vinícius, Tom,
Chico...
Confesso, o peso da tradição poética me esmaga,
e se nenhum desses mestres
jamais conseguiu produzir nada,
absolutamente nada,
que fosse digno do nosso sentimento,
quem sou eu para abrir minha boca?
Ah, para mim,
é completamente impossível te amar em qualquer poema.
Só mesmo ao vivo.

Postado por
P.H. Wolf
às
12h29
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E esse sou eu :
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