Amigos: que bom que vocês estão gostando dos meus poemas! Não posso deixar de notar uma coisa curiosa em relação a esse gosto: me parece que os poemas em versos livres são mais comentados do que aqueles com métrica definida. Não sei bem o que isso pode significar, mas, oh céus, a verdade é que eu estou completamente enamorado com a métrica, com os quebra-cabeças que são os poemas calcados nas rimas e nas sílabas. De qualquer forma, eu e a métrica temos um relacionamento aberto, por isso, porei, sempre que der, um poema de métrica definida e um livre, ou pelo menos um soneto e alguma outra coisa, ok?
Quiseste um poeminha muito belo
e eu o fiz, minha amada, sem desdém.
Mas não queres que o mostre a mais ninguém?
Não posso concordar, já está no prelo.
Como não partilhar com outros cem
as delícias que provo em teu castelo?
Como não dividir todo o meu zelo
com almas sem amor, que nada têm?
Certamente não queres que eu esconda
as cores dos meus olhos. Que engodos
furtariam o que a gente já viveu?
Acalma teu ciúme de anaconda.
Minh'alma - meu poema - é para todos.
Meu corpo - que é o que importa - é todo teu.
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P.H. Wolf
às
09h52
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Existe o frio
quando se corre?
Existe o ímpar
quando de porre?
Existe o outro
quando se dorme?
Existe a vida
quando se morre?
Postado por
P.H. Wolf
às
09h49
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Boneco de neve
Observando um boneco de neve
eu saberia que a vida acaba e nos transforma em água,
como o boneco que, inevitavelmente,
derrete na primavera.
Eu saberia que o ser é, também,
não-ser. E que o inverno,
tão cheio de dor e de frio,
é aprasível, mais do que a primavera,
precursora do inevitável
fim.
Eu viveria melhor, suportaria melhor
o sofrimento. Por
fim,
ao nascer dos lírios,
choraria de saudades,
faria um minuto de silêncio,
e fitaria a pálida luz do
fim
antes de voltar a não-ser
com serenidade.
Acontece que eu sou brasileiro
e nunca vi um boneco de neve.
Postado por
P.H. Wolf
às
09h57
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