Juliana, ouvindo um belíssimo soneto de Camões, me sugere" Você devia pôr coisas assim, e não isso aí que você escreve". Não posso negar que essa afirmação, feita de um modo absolutamente contundente, tocou em um medo antigo. É que tanto já foi escrito sobre amor, e tão lindo, que é dificílimo para mim acrescentar qualquer coisa que preste a esse arcabouço poético. Por isso, esse soneto é dedicado à minha grande amiga Juliana.
Soneto de alguém que ainda ama
Como astro há cinco mil anos extinto
cuja luz ainda hoje nos alcança,
assim brilham meus olhos, por instinto
à tua voz, tua visão ou tua lembrança.
Nem ódio, nem desejo de vingança
maculam a emoção que ainda sinto
mas ao lembrar-me de nós, qual criança,
choro lágrimas cor de vinho tinto.
Não creio que essas dores passarão,
nem quero nunca me esquecer de ti
muito menos da nossa relação
que eu sei que já acabou, mas e daí?
as nossas horas juntos ainda são
os anos mais gostosos que vivi.
Postado por
P.H. Wolf
às
11h30
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Voltemos, agora, à nossa programação normal.
Ao ver cabelos brancos em Caetano
Veloso, me estremeço, não aceito
o pânico instalado no meu peito:
Um dia vou morrer. Cairá o pano.
Ricky Martin também já é homem feito
e a vida não é mais como era no ano
passado. Como todo ser humano
eu sei que vou morrer. Não tem mais jeito.
Ó Tempo, a Ti suplico, não me craves
na cruz que a todos mata, de São Bento
ao seu Madruga, do seriado Chaves!!!
Permita que eu caminhe contra o vento
e viva minha vida, sem entraves,
para sempre, sem lenço ou documento.
Postado por
P.H. Wolf
às
11h09
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