O homem moderno, quando não realiza seus tão amados projetos,
lamenta que não pôde tirar suas idéias do papel.
"Reclama de barriga cheia"
diz o poeta sofredor
que nem consegue pô-las
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Você pra mim já morreu
Mas eis que neste instante
Quero praticar
Necrofilia.
Meu sonho é escrever fácil e difícil ao mesmo tempo.
Assim, todos poderão ler Flor, Sexo, Poesia, Vida
e se encantar de verdade com a Flor, o Sexo, a Poesia e a Vida,
enquanto os caçadores de tesouros,
munidos de chapéu e chicote,
saberão também
(e a palavra mágica é também)
que a flor é metáfora pro sexo,
o sexo é metáfora pra poesia,
a poesia é metáfora pra vida
e a vida não é metáfora,
é metonímia.
No banco da praça. Jocasta e Alberto. Ela 18, ele 16. Amigos há uns dez anos.
- Claro que acredito. E quanto à nossa amizade?
- Nós éramos crianças. Você ainda não era um homem e eu, definitivamente, não era uma mulher.
- É, tem razão. Por falar nisso, você ficou um mulherão, com todo o respeito.
- Nada.
Não se viam há pouco mais de três anos, desde que Jocasta foi pra Europa com os pais. Voltara de surpresa duas semanas atrás - um mulherão, como notou Alberto. E agora conversavam.
- Foi pra isso que você me chamou, Jo-jô?
- Ha! Tinha me esquecido desse apelido... Alberto, a gente sempre foi muito unido, não é mesmo?
- É verdade. Lembra aquele dia em que a gente tava no lago...
- E quando você foi no vestiário feminino depois da aula de educação física...
Alberto era o mais calado da dupla, mas também era o que mais aprontava.
- Você nunca sentiu que poderia haver algo mais entre a gente, Alberto?
- Foi você quem disse, nós éramos crianças. Sem contar...
- Mesmo assim, acho que você tinha uma queda por mim, pode admitir.
- Que é isso...
- Tinha sim, eu vi as suas lágrimas no dia que eu fui viajar. Não era choro de amigo.
Aquele dia, três anos atrás, fora o pior de todos na vida de Alberto, quando o mundo ficou cinza, enquanto todas as Cores partiam para a França...
- Sabe, foi por isso que eu voltei.
- Pelas minhas lágrimas?
- Não, seu bobo. Por você. Porque eu também te amo.
Beijaram-se intensamente. Alberto, sem se importar com nada, deixando todas as angústias e confusões para depois. Jocasta, dançarina em Paris, nascida com o nome de José Augusto Lopes de Souza, experimentando pela primeira vez a felicidade.
ARRRRRGGHHHH! Esse é o único grito que pode aparecer durante o filme, dito por nós, espectadores. Há muito tempo um filme não me decepciona tão profundamente. Atuação péssima, efeitos idênticos a "O chamado", história pretensiosa e vazia... Se dão valor ao seu pobre dinheirinho, não assistam.
Antes de mais nada, desculpem-me o post de saudações repetido 4 vezes, é o que acontece quando o computador não é nosso, e a gente fica clicando confirm 4 vezes, e a tela não muda, e a gente clicando, e quando a gente vê todos os clicks foram considerados, e agora não dá pra apagar, etc...
Agora, para os que me perguntarão o porquê desse nome para o blog (o que um ou outro pode já ter intuido), digo logo. Esse é quase o nome de um dos meus poemas favoritos, (mais) uma expressão da relação entre o poeta e a sua arte. O poema é esse que segue:
Poema Líquido
PH Wolf
Muitos poemas são feitos de ar e vento.
Correm pelos olhos e pelos dedos,
ora refrescando a face, ora congelando os ossos.
Às vezes eles se condensam, tornando-se como nuvens,
e eventualmente chovem, inpregnando o leitor com suas metáforas.
Minha poesia, porém, já nasce líquida.
É densa, meio pastosa, de cheiro forte,
cada linha é cheia de som,
cada letra, repleta de luz,
e cada vírgula pletora de sentimentos obscuros.
Acontece que sou apaixonado pelas Letras
(até aí nada demais),
só que meu amor por elas é carnal,
ou seja, estou sempre com segundas intenções
- pois o que eu quero com elas é sexo -
de modo que, quando as conquisto,
levo-as para o aconchego do meu quarto,
liberando todo o meu tesão
num frenético bater de teclas.
Começo a despí-las de todos os sentidos
e a me despir na frente delas,
abraçando-as com força,
pois enquanto fazemos amor eu sou todinho delas
como elas sempre foram minhas,
e nos tornamos íntimos,
por esses fugazes momentos
tão cheios de eternidade.
Ao me sussurrarem os versos cantados,
percebo, entre espanto e êxtase,
que as letras, tão recatadas, tão misteriosas,
fazem o melhor sexo oral do mundo
e quase me explodem.
Eu retribuo,
e acaricio os esses com carinho.
Assim, quando os corpos já esquentaram,
e eu já não consigo ver o mundo sensível,
penetro,
aos gritos, com vontade,
sem medo, sem receio,
sem camisinha.
Pressiono-as fisicamente
brinco com elas, mordo, deixo marcas,
grito forte,
Finalmente, no gozo,
ejaculo o poema pronto,
líquido, pastoso, repleto de letrinhas,
cada uma delas pronta para fecundar os corações dos jovens
e enchê-los de vida.
Bonitinho, não? Eu gosto muito deste poemas, e as pessoas pra quem já o mostrara costumam apontar esse como um dos melhores também. Nada melhor então do que nomear o meu blog a partir de um sucesso de público e de crítica, certo?
A primeira linha da minha vida escrevi chorando.
Assim, não me espanta a dificuldade que encontro para iniciar
um emprego, um namoro, um poema
um blog.
Mas começo.
E o segundo passo é sempre mais fácil.
A perna se aqueçe, a paisagem é bonita,
o mundo me chama.