Cavalo Marinho

(esse a maioria de vocês já conhece, estava no outro blog, o que não deu certo. Eu coloquei aqui para alavancar o meu retorno enquanto eu não acho o meu caderno com poemas inéditas e interessantes. O chato é que eu tinha escrito uma introdução ótima, cheia de coisas relevantes e cultas, mas se apagou murphianamente, como todas as coisas. Enfim, semana que vem, Poesia Nova! até lá.)






Nadar tranquilamente
..por sob as águas claras
....(claras como seus olhos).

Cantar, despreocupado,
..sabendo que o oceano
.....abraça minha voz
...e a torna indiscernível.

.....Amar, amar, amar,
.........e quando for a hora
- ou um pouco antes, quem sabe? -
.........ser eu a engravidar.

No entanto, eu não sou
um cavalo marinho,
e a triste e alegre hora
.................escapa de meus dedos
......................................(e de todos os dedos)

além do meu alcance,
..........como a pluma da pedra;
além do meu alcance
..........como o mistério último;
além do meu alcance
..........como o sangue da terra,
....................como um fim sem princípio,
..............................como um ventre vazio.

Postado por P.H. Wolf às 20h12

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Confessional

Acaso falo só do que vivi?.
Buscas verdade em tudo o que foi dito?
Serão o mesmo o homem e o próprio mito?
Pois bem! Estou e não estou aqui.

OK, é a mim que olho quando fito
folhas de papel brancas. E daí?
Nasce um poema e eu não renasci.
Sou eu quem escreve, não quem está escrito.

Acreditar que sou cada poema
é como achar que todo "u" tem trema,
que Bob Kane (e não Bruce Waine) é o Batman
e que Nossa Senhora é só a de Fátima.

Há quadros que não são auto-retratos.
Nem sempre o fato corresponde aos fatos.

Postado por P.H. Wolf às 23h37

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Jet Kune Do

Ser como a água.
Fluida? Nem sempre.
Às vezes, nuvem.
Às vezes, lago.
Às vezes, gelo.

Deixar que o mundo
me envolva e ser por
ele moldado
quando convém (só
quando convém).

Pacientemente
também moldá-lo,
como água mole
que tanto bate
na pedra dura.

Mesmo o oceano
- embora haja
hoje somente
cinco no mundo -
passar a ser,

cercando ilhas
e as abraçando.
(Quem me conhece
sabe o que eu penso
que as ilhas são).

Ser como a água.
É, quem diria
que é bem possível
aprender poesia
com Bruce Lee?

Postado por P.H. Wolf às 22h55

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Um pescador

Um pescador, sentado em uma pedra,
chora, como alguém que, pescando estrelas,
só consegue pegar um bacurí
(esquecendo que estrela não se come

assim como as sereias, dependendo,
é claro, do sentido que se dá
à palavra comer). O pescador,
no entanto, não queria para si

qualquer astro do céu, e se o quisesse
não é no mar que o localizaria.
Ele sabe que há só uma entidade
celeste que se encontra sob as águas.

e que sempre que precisar da deusa
ela estará na terra, no terreiro.
O que faz esse pescador chorar
é uma mulher (mas não nos fazem todas?).

Postado por P.H. Wolf às 15h18

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Mar Branco

Um poema é uma ilha
ancorada por um mar
branco e curto, como um dente,
e tão frágil quanto.

Tal qual o dente, esse mar
amarela, apodrece,
conforme o tempo não pára.
Animais o róem,

até que não há mais dente
e o próprio mar se esfarela.
É quando o poema voa
pelo céu da boca.

Postado por P.H. Wolf às 00h43

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Ano III - de volta às origens!

Voltei! Por alguma razão, eu simplesmente não consegui me adaptar ao outro blog, por isso estou de volta ao zip.net! Também estou animado de recomeçar o blog (como podem notar pelas exclamações!!!), afinal, não postava nada a meses. Enfim, lá vai:


Lá...


onde pus meu coração
de pensamentos meninos.

um lugar fácil de achar
(Veja o quadro. Ouça os sinos).

Está protegido apenas
por aposentos tão claros,
por corredores tão finos,

como todos fossem feitos
para a honra e para a glória
do rei Minos.


É isso aí. Um abraço a todos e, por favor, COMENTEM!!!!!

Postado por P.H. Wolf às 22h59

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Mudança de endereço

A partir de agora o blog "poesia líquida está em outro endereço:

http://poesialiquida.blog.terra.com.br/

Espero vocês lá.

Postado por P.H. Wolf às 15h20

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Palavras dizem "te amo"
mas não dizem o quanto.
Palavras têm fim.

Postado por P.H. Wolf às 19h38

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Poesia sem palavras.
Paz sem entendimento.
Verdade sem paixões.
Pessoas que vivi.

Ela é amor (e eu medo)
por Clarice Lispector.
Tem, embora discreto,
coração de Peri.

Nasce de um ventre humano.
Vive literatura.
Morre em italiano.
Será alguém. E daí?

Conheço alguma coisa.
Há quem não saiba nada.
Ninguém vê por inteiro.
Mozilene Neri.

Postado por P.H. Wolf às 19h37

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Michelle

Uma rosa, com outro nome,

mantém o mesmo perfume,

que é o perfume da rosa.

Mas e o perfume do nome?

Um nome carrega em si

o objeto que o contém,

mas o nome nunca é

aquilo que é nomeado.

Então que coisa é o nome?

Acaso existe o nome?

Qual é o nome do nome?

Elvis? Einstein? Ghandi? Hitler?

É preciso ser bem grande

(de uma maneira ou de outra)

para poder ser menor

que o nome que possui.

 

O nome da minha filha, por exemplo,

foi escolhido por mim aos 13 anos de idade.

Ela ainda não nasceu.

Mas guardo seu nome por todo meu corpo,

sua inicial gravada na palma da minha mão,

sua métrica presente na minha cabeça,

e sua rima permeando toda a minha pele.

Postado por P.H. Wolf às 12h18

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Um cigarro

Aqui,

onde vaporosas linhas curvas 

giram sem pressa,

criando formas artificialmente dionisíacas,

e sobem,  como um incenso ateu

que leva mudas orações para deuses surdos.

 

Aqui,

onde uma fina folha de papel branco

(cor do luto no Oriente)

envolve, silenciosamente,

as Cinco Mil Folhas,

ignorando por completo seu conteúdo

(e se soubesse não se importaria).

 

Aqui,

onde minha boca absorve

o incenso, absorve

as Cinco Mil Folhas

e traga a vida para si,

dela extraindo profundidade

às custas da vastidão.  

Postado por P.H. Wolf às 12h04

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Nascimento de um Conto ( parte I)

A  PORTA DO QUARTO SE ABRIU e acendi a luz. No instante em que ela penetrou no quarto, soube que algo se retraía no chão. A visão da minha mesa, das estantes e dos livros me encheu de uma estranha nostalgia. Por um segundo, senti falta do escuro naquele aposento que, agora iluminado, me parecia incompleto. Mas logo dei de ombros. Ainda estava escuro embaixo da cama.

            Sentei-me defronte ao computador e o liguei. Enquanto a máquina inicializava, respirei fundo e foi tentando me concentrar para entrar em contato com o meu eu interior. Mesmo sabendo da completa inutilidade de qualquer eespécie de fragmentação da minha identidade, eu gosto desse ritual. Me deixa mais consciente de minha própria ignorância.

             Fui abrindo meus arquivos com o mouse e reli minhas anotações. Era hora de reorganizar, com o auxílio das palavras-chave anotadas no processador de texto, todas as minhas lembranças acerca do que eu iria escrever. Essas anotações, tão úteis para mim como cristalização das idéias, de cada momento, cada emoção e cada possível metáfora não davam conta, no entanto, do conto em torno d qual tais momentos, emoções e metáforas estavam prestes a se reunir. “É por isso que análise literária não presta”, pensei, e fui passando na memória o não-conto que iria se tornar conto.

Postado por P.H. Wolf às 15h17

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Nascimento de um Conto ( parte II)

No meio da leitura, percebi que, de tanto olhar para a tela brilhante, o quarto à minha volta estava mais escuro para meus olhos e sorri, acolhendo e sendo acolhido por aquela treva.

            Então ouvi, aparentemente vindo debaixo da minha cama, uma voz doce e jovial, mas que parecia ser mais antiga que o Sol, entoando uma canção em grego clássico. Lentamente aquele som foi me invadindo, me dotando de uma embriaguez incompreensível e paralisante que, embora me impelisse à ação, não podia ser expresso por voz humana. Apenas a meus dedos era permitido que se movimentassem. E eles o faziam com extrema competência, cada toque reproduzindo toda a História da Escrita, se unindo às figuras do homem pré-histórico, aos hieróglifos à margem do Nilo, às runas talhadas em pedras circulares, aos ideogramas pintados em folhas de arroz.

            Por fim, o Silêncio. Início e fim de qualquer obra contida no tempo, o Silêncio tomou conta do quarto, contendo todas as cores do mundo. O conto estava ali, completo. Salvei o arquivo, desliguei o monitor e fechei os olhos para lê-lo melhor e absorver tudo o que ele queria me dizer e que não havia sido originalmente pensado pela minha consciência. Deixei cair uma lágrima de orgulho e inveja por esse conto que, por mais que fosse meu filho, saíra a cara da mãe.

Postado por P.H. Wolf às 15h15

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Poema de Ficção Científica

A Terra, lua da Lua,
iluminava a paisagem
com sua luz azul-terrestre,
e eu não me sentia só.

Metade da humanidade
ao alcance dos meus olhos,
muito embora eles não saibam.
Hoje eu não me sinto só.

Trinta e oito mil quilômetros
me separam de você,
mas enquanto estiver viva, 
eu não me sentirei só.

Postado por P.H. Wolf às 00h45

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Pontu(ação)

A fala do Silêncio se apresenta em todos os pontos.

Oh Vìrgula,
pausa que se faz presente,
musical,
caridosa,
acolhedora,
que insiste em chamar (exigir!) outros sons,
outras palavras,
outras falas,

Ponto de Interrogação?
Que é essa linha voluptuosa que coça na boca,
essa serpente na boca da maçã,
capaz de entortar
toda a prosódia, destruir
todas as certezas, criar
todo o pensamento?

Reticências... Suspiros silenciosos de amor... de tédio... de maresia... ah, morosas reticências... cansadas... indecisas...

Ponto de Exclamação! O silêncio
GRITA
em cada ponto fálico de exclamação!
Origem da Poesia,
Portador do Espanto,
Avatar do Arregalamento
de todas as sentenças,
aqui se encontram os orgasmos múltiplos
do Vazio!!!

Dois Pontos: uma pausa destinada a explicar o fato de que,
nesse exato momento,
será dada a seguinte explicação:

E Ponto Final.

Postado por P.H. Wolf às 13h24

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Bem Vindo
Paulo Henrique Wolf Pereira
Agora estão...

...pessoas on-line.

E esse sou eu :



BRASIL , Sudeste , RIO DE JANEIRO , JACAREPAGUA , Homem , de 20 a 25 anos , Portuguese , English , Livros , Cinema e vídeo
Nome:
  Paulo Henrique Wolf Pereira
Também conhecido como:
  "PH-Wolf', "PH", "Pólen", "Paum di kejo"
Bom \o/
  [COMPLETAR COM COISAS BOAS]
Não-bom -.-"
  [completar com coisas ruins]
Msn :
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Meu Lema:
 
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